May 28, 2012

Não tão diferentes assim.

No fundo sempre soube que não eram assim tão diferentes. A certeza era tão grande que precisou se afastar, se omitir de tudo aquilo, negar com força e correr contra o tempo para provar exatamente o oposto daquilo tudo, mesmo que aquela ponta de dúvida que sinalizava a perda de tempo se mostrasse cada vez mais incômoda dentro dele. 

Quanto mais se afastava procurando provar o impossível mais se enrolava nos velhos fios tecidos há muito em seu caminho. O Tempo mostrou, aos poucos, as faces de uma verdade camuflada que revelava as pedras do caminho por onde ele decidira seguir.

Não havia novidade alguma, muito menos invenção naquelas decisões tomadas nos últimos anos, o seu reflexo no espelho tinha um olhar cansado e complascente àquela angústia que sentia, as marcas em todo o rosto mostravam toda a carga de arrependimento e pesar que carregara desde do começo com o mesmo objetivo: o de chegar no fim do caminho com a verdade nas mãos e a mente mais aberta. 

O Ciclo deu o ultimato final, mostrando a retrospectiva de uma vida inteira que nem aconteceu direito ainda fazendo com que o resultado esperado fosse atingido. Agora não adianta mais lutar contra aquela que era uma pequena ponta incômoda, pois ela cresceu e atravessou toda uma alma, pregando o destino dele como na cruz, selando de uma vez por todas a dúvida que fez essa história começar…

May 19, 2012

Sextas feiras

Depois de tanto tempo, quem diria ser rotina te ver de novo. O tempo nao foi generoso conosco mas mesmo assim foi possivel te reconhecer pelo minimo gesto que fazia enquanto se acomodava no banco incomodo do onibus. O impulso imediato pedia para acenar para voce, sentar ao seu lado e por o papo em dia, mas acontece que voce tambem me reconheceu, e por isso evitou ate olhar cruzado. Jurava que tinha sido impressão. Mas depois da terceira vez eu tive certeza. Nunca vou entender o porque, de todos os mistérios você sempre foi o mais complexo…agora só resta esperar que semana que vem um pouco da figura possa mudar

May 4, 2012
April 20, 2012

Faz de conta

Que no seu mundo tudo é perfeito. Céu sempre azul com aquela brisa gostosa batendo o dia todo, fazendo o cabelo daquela pessoa que você tanto gosta dessarume a todo momento. E que, ao sair do trabalho, o sorriso esteja estampado no rosto e os ombros estejam leves, aguardando ansiosamente pelo que vem pela frente até o fim do dia. 

Faça de conta que você não tenha rotina. Que não exista brigas, em nenhum lugar e com ninguém. Que de repente, uma loucura hoje seria bem vinda pelo simples fato de querer fazer algo diferente com seus amigos. 

Faça de conta que  voce esteja cercado apenas de lazer e coisas boas, de alegria e de energia positiva, mas acima de tudo esteja cercado de possibilidades para fazer o que desejasse, para que atingisse qualquer objetivo, para que satisfazesse a todos ao seu redor. 

Não seria legal?

Entao faça de conta que é verdade e procure um final feliz para tudo isso

April 7, 2012

365 dias

Hoje quando eu acordei, o destino achou uma forma muito estranha de brindar comigo essa data. Tudo estava igual da forma que me lembro, um verdadeiro deja vu na minha cabeça.

Foi difícil respirar ou me concentrar sabendo o que viria pela frente, mesmo que a cena volte com a mesma intensidade, dia após dia, de manhã até a noite, é diferente quando você sabe que está perto e que vai ter que viver com isso de novo, entende?

Tento me acostumar com a sombra que vive atrás de todas as coisas que eu vejo, tento mistura-las as situações corriqueiras ou ignora-las, mas ao invés de funcionar só agrava a situação. A dor em sí já se transformou em um pequeno incomôdo depois de tantas vezes que acordei sentindo que tudo tinha acabado de acontecer. 

Muita coisa mudou desde então, mas nada parece estar realmente diferente, e sabe porque?

Porque aquela última pincelada que falta para finalizar todo o quadro nunca veio, a pintura ainda está inacabada só esperando aquele toque final que insiste em não acontecer, sabe? E continuo aqui esperando por isso sem esperança alguma de que a solução apareça.

Já desisti de tentar virar a mesa, principalmente quando vejo que tanto esforço foi em vão. Não são poucos os dedos que apontam para minha cara e leem meus olhos, mais ainda são aqueles cujos olhares partilham do mesmo sentimento há muito tempo e simpatizam porque também não conseguem achar uma saída. 

Tento não pensar nisso mas tudo que tenho para me ocupar acaba me trazendo de volta a estaca zero. Por muitas vezes tentei viver o que poderia ser o seu cenário atual e por todas as vezes sai marcado, meio desesperado e muito arrependido de ter feito isso. Por culpa de tudo isso tomei várias decisões erradas. Uma das mais erradas foi dividir o fardo com quem não deveria carregar, e mesmo sabendo que não é certo, não me sinto tão errado assim. 

Durante 364 dias eu esperei por hoje, torcendo para que talvez algo sobrenatural pudesse ajudar a fazer uma travessia mais suave, talvez ajudando a esquecer todo esse clima indesejavél quando eu acordasse. Ainda espero que isso aconteça, que seja verdade porque as vezes preferia não precisar lutar mais, que a luta acabasse comigo sendo o perdedor, não faria diferença alguma para mim.

Eu já imaginei tantas coisas, em dizer tantas palavras em tantas situações diferentes mas nada disso importa. Não vale a pena, simplesmente não vale…

Hoje não vou dormir na minha cama. Vou dormir com a geladeira vazia e com um copo do meu lado, esperando que a mágica aconteça.

March 28, 2012

Arrependimentos

Como se fosse uma grande sacola, dessas novas sabe? eco não sei o que ou retornáveis se preferir. Um saco, essa é a verdade. Incomoda, atrapalha e pesa demais nas costas quando estão cheias, depois de uma boa temporada preenchendo a maldita até quase a arrebenta-la. Mas tudo bem, não se preocupe! ela nunca arrebenta…

Um a um vai se montando a coleção, dos pequenos e inocentes como aqueles do tipo de confundir alguém na rua, de dizer sem querer o par de cartas que estava na mão do seu pai,  prestes a ganhar aquela rodada diga-se de passagem, só porque achou engraçado a cara de alegria velada do velho enquanto ele olhava distraidamente para o lado tentando blefar para os amigos.

Logo depois deles se acomodarem, chegam alguns maiores, como o daquele fora que tomou depois de apostar com os amigos que daria um beijo na menina mais cobiçada da escola. Ou então quando se cansou de tudo, depois de ter tido uma real chance com tal garota, e partiu para uma briga sem motivo contra aquele colega mais fraco.

Da mesma forma que não queria nem lembrar o porquê deu tão errado o primeiro namoro, o porquê de tomar tantas decisões erradas em sequência e o que isso de fato representou. Não entendia metade das coisas que lembrava enquanto a outra metade era envolta em muitas dúvidas e praticamente nenhuma certeza mais.

Ahh aquelas aulas matadas que foram importantes depois? essas tem um lugar especial na sacola, junto com todas as oportunidades desperdiçadas de trabalho e aqueles happy hours perdidos com os amigos, aqueles mesmo, que geram histórias em todo fim de ano sabe?

Não esta nem na metade ainda e já precisa apertar um pouco todos eles para que os próximos a aparecer, os grandões, aqueles que duram toda uma vida possam se encaixar…Exatamente esses aí, que tem como obrigação passar longe da memória, que estão impressos inclusive do lado de fora para que todos possam ver.

Os piores, os malditos, aqueles que ainda mexe por dentro e que é tão real quanto qualquer outro…esses vão logo em cima, numa esperança clara de que ele permaneça pelo menos ali, perto da boca, esperando cair a qualquer momento no chão se espalhando em mil pedaços. 

Mas isso quase nunca acontece porque a sacola é grande…é verde, é retornável e sempre tem um espacinho a mais para acomodar o novo arrependimento da vez.

March 16, 2012

Tempestade

Que venha lavar minha pele machucada. Diluir a tristeza do meu suor;
Que alivie a pressão sobre meus ombros e embace minha visão tão discrente;
Que ajude a limpar o caminho tão sujo de barro e controvérsias;
Que amoleça até a mais dura das verdades, mas que não as desmanchem jamais;
E que o barulho do trovão sacuda a minha alma desfalecida;

Que a chuva caia e lave a minha alma, diluída em controvérsias;
Machucada pelas verdades;
Oprimida pelas descrenças;
Sacudida pela sujeira;
E que faça o tempo andar mais devagar para que o deleite dos dias possa perdurar um pouco mais

Que a chuva caia e faça com que pelo menos hoje, tudo seja um pouco diferente;


Assim eu espero!

February 29, 2012
February 21, 2012

Um dia difícil

A luz branca recém trocada realça a sua presença. Quase a vejo nitidamente andando por onde a antiga lâmpada só enxergava sombras. Um arrepio percorre toda a espinha. O cômodo todo está vazio, mas não é isso que sinto. De novo alguma coisa mudou, as vezes é só mais um dia difícil que precisa acabar…

February 17, 2012